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Pensei que o filme do Jabor agradasse tanto como o colunista, escritor
de intensa verve literária, de realismo cru e sem quaisquer sombras
de pudor. Retrataria, sobretudo, décadas dos anos cinqüenta
e sessenta, período especialmente saudoso para septuagenários.
A decepção foi grande, pois a visualização
em imagens dos seus escritos, a meu ver foi negativa, não correspondendo
aos seus próprios textos, como a manifestação exagerada
do padre, no flash da aula que exibiu e também do beija mão
dos alunos. A felicidade, para o cineasta, conclui-se, consistiria na
plena vivência do erotismo reprimido na época e somente
alcançável com a frequência aos rendez-vous e cabarés.
O filme então se desenrola com tais objetivos e retrata a triste
história do menino que presencia o desentendimento dos pais,
em cuja família não existem sinais de felicidade, mas
de agressividade , intolerância e inclinação para
bebidas alcoólicas. O pai, na sequência, insistindo na
bebida, começa a freqüentar casas noturnas, implicitamente
estimulando o filho a fazer o mesmo. Nas trocas de cena aparece o avô,
representado pelo excelente Marcos Nanini, guru desses “excelentes”
procedimentos. O jovem adolescente, com perspicácia, consegue
o amor de stripper, tida como invulnerável em sua abstinência
sexual finalística. Portanto, o filme é recheado de cenas
eróticas o que, evidentemente, não é recomendável
para quem segue os padrões religiosos normais.
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