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ESPANTANDO A TRISTEZA
Roberto Corrêa

]
Vamos fazer cordel,
Para os males espantar,
Porque rir é bem melhor
Do que medos suportar.

Hoje tememos tudo,
De quem pede uma esmola,
(Que pode nos assaltar),
Ou de uma carta a chegar.

Vivemos sempre assustados,
Porque a miséria é grande
E solução não se vê
Nas lorotas da tevê.

Talvez comer pipoca,
Mandioca, milho, paçoca,
Faça esquecer a hora ,
De enfrentar a pororoca.

Esqueçamos, pois prezados
Simpatizantes e amigos,
Que tudo é difícil e ruim,
Se ficarmos afastados.

Juntos poderemos longe,
Chegar, saudar , sorrir,
A vida dura enfrentar
E tudo sobrepujar.

Por isso embora triste,
Ao começar estes versos
Estouro de alegria
Ao encerrá-los e fechá-los.

AMOR(trova)
Roberto Corrêa

No mundo existe o amor,


De pai, de mãe, nada mais.


O resto é humano calor,


Cheio de ilusões fatais.

SONHO(poesia)
Roberto Corrêa


Os sonhos distantes do passado ,
Misturados com fatos do presente .
Não sei se era bom , se era ruim,
Mas cheios de banalidades e incertezas.
Acordei na realidade fria da manhã,
Onde a poesia linda estava ausente
Pois aqueles seres que iria ver no lindo sonho ,
Não mais existem
Só a casa e os tempos diferentes ,
Sem aqueles entes
Que sumiram,
Na visão do sonho alegre e triste .

O TROVADOR
Roberto Corrêa

O trovador inspirado,


Não faz esforço nenhum.


A poesia sai assoprando,


Quebra o seu duro jejum.


O MÉDICO E O PACIENTE
Roberto Corrêa

Parece, porque não estive presente,
Mas ouvi contar,
Que nos velhos tempos,
O médico era considerado como um sacerdote,
Tão dedicado era...

Hoje, salvo exceções, tudo mudou:
Você é atendido a “trancos e barrancos”,
E quando pensa perguntar algo, tirar alguma dúvida,
Toca o celular dele,
Que,
Ao mesmo tempo que atende o telefone,
A outra mão para você estende...

E´ o dinheiro, a pressa,
Será que somos simples objetos ?

A COMPETÊNCIA(poesia jurídica)
Roberto Corrêa


A competência, no direito penal,
Rege-se pelo lugar da infração.
Mas, no direito civil processual,
Encaminha-se a inicial petição,

Ao domicílio do réu, que afinal,
Indica o juiz da ação e execução.
A competência jurisdicional
Também fez parte da unificação.

Definiu no passado um grande lente:
A competência, por todos percebida
Da jurisdição é a medida.

Não se olvide, quem nos pretórios lida:
O julgador sempre é bem competente,
Mesmo que a lei o entenda incompetente.

Em toda a parte a saudade

Roberto Corrêa


Vejo pelas ruas pessoas envelhecidas ...
Fujo delas ...
Não é possível que o tempo tenha passado tanto ...
Ela fora tão bonita
Tão jovem ...
Hoje , envelhecida e encurvada,
Vai passar assim o resto da sua vida...

Ele ainda se salvou... Raspou o bigode antes de embranquecer...
Remoçou , parece tão feliz,
Mas , os tempos não são os mesmos...

As pessoas mudaram e ,
No corre-corre do entardecer,
A saudade surge como tristeza,
A tristeza enlanguesce como saudade!

NUNCA MAIS
Roberto Corrêa

Nunca mais o passado voltará,
Nem suas lembranças , vivas tornarão;
Apenas a saudade restará,
Em nosso jubiloso coração.

A claridade da manhã virá
Com suavidade e tênue cerração,
Mas onde a felicidade estará
Se não a posso ver em minha mão ?

Tudo é mistério, pura fantasia,

Rápidos momentos, bem distantes
Da nossa vida que restou vazia.

Inclusive nos lapsos fulgurantes,
Das justas e terrenas alegrias,
Raras e de brevíssimos instantes.


Sorrisos de um amigo II (trova)
Roberto Corrêa



Por isso é bom expressar,


No amor de um sorriso,


Sem mesmo muito falar,


O viver do paraíso.

A SAUDADE EXISTE
Roberto Corrêa


A saudade existe,
Ao olharmos para a árvore morta,
Que um dia era verde e carregada de frutos...
Ao vermos, próximo, a generosa goiabeira,
Vicejante, pronta para reproduzir de novo...

A saudade existe,
Ao olharmos para o horizonte sombrio,
Tão azul e tão belo sob o sol de verão...
Ao vermos passar os ônibus e os carros,
Para o dia a dia de esperanças...

A saudade existe,
Nas lembranças dos simpáticos humanos
Livreiro, médicos, professores, sacerdotes,
E tantos outros, parentes e amigos,
Que partiram definitivamente...

A saudade existe,
Quando respiramos a suave brisa matinal
E notando que estamos vivos,
Os olhos se umedecem docemente,
Enquanto a vida nos convoca para viver....

A saudade sempre existirá.

O MANDADO DE SEGURANÇA (poesia jurídica)
Roberto Corrêa

Entre as garantias constitucionais,
Figura o mandado de segurança,
No lugar dos interditos pessoais,
Dos nossos idos tempos de criança.

Quando se tratam de atos ilegais,
Em que a autoridade às vezes se abalança,
Das ações e remédios processuais,
Vêm o ”habeas” e o mandado na lembrança.

O fato deve ser líquido e certo,
Segundo Costa Manso, não o jus,
Que este sempre o é na lei que o conduz.

Nas selvas legais o mandado é luz,
Suporte peregrino, céu aberto,
Contra a violência que chega bem perto.

O JÚRI (poesia jurídica)
Roberto Corrêa


Estão repletas as salas do Fórum,
O número de jurados dá “quórum”,
Tem início a sessão com o relatório,
E a seguir o libélo acusatório.

Traumatiza a defesa com seu “verbum”.
E o delito de negro se faz “album”.
O acusado não passa de um simplório,
Omisso qualquer motivo acessório.

Observados os requisitos formais,
O calor dos debates revigora,
Enquanto num canto o acusado chora.

A réplica com a tréplica demora,
São prolongados os instantes finais,
Até a sentença que encerra tudo o mais.

CRIME E DIREITO PENAL(poesia jurídica)
Roberto Corrêa

Típico, injurídico e culpável
É o conceito moderno do delito,
Que os doutrinadores acham aceitável,
Sufragado pelo direito escrito.

Há delito que é qualificável,
Outros muito que entram em conflito
Aparente de normas explicável,
Nas nuances que vão ao infinito.

Variam as disposições do celerado,
Do julgador criminal exigindo
O dogma constitucionalizado.

O direito repressivo exprimido
• Proteção ao fraco, ao desamparado,
Pune aquele que vive delinqüindo.

ABSOLVIÇÃO DE INSTÂNCIA (poesia jurídica)
Roberto Corrêa


Os riscos da demanda são inúmeros,
Do advogado exigindo cautela,
Para triunfar na causa que tutela,
Utilizando todos os recursos.

Como os rios nas seqüências dos cursos,
O processo que enfoca um caso em tela,
Vai adiante, salvo se alguém apela,
Para as absolvições e atos nulos.

É a procuração que não é juntada,
A firma ou documento que é omitido,
Ou o advogado ausente à assentada.

Em situação séria se vê metido,
Se a absolvição de instância é decretada,
O advogado que fora distraído.

A COISA JULGADA(poesia jurídica)
Roberto Corrêa


As sentenças fazem coisas julgadas
Quando não podem mais ser atacadas,
Por haver do recurso preclusão,
Ou exauri mento de apreciação.

Algumas podem ser revisionadas,
Ao serem as situações modificadas,
Da regra justificando a exceção,
Inclusa a voluntária jurisdição.

A coisa julgada tem base na paz,
Das questões impedindo a eternidade,
O que, sem dúvida, sempre satisfaz.

Se contra terceiros tem validade,
Se a ação, com a sentença, esse efeito traz,
Difícil dizer com celeridade.


OS PRAZOS (Poesia jurídica)
Roberto Corrêa

Exclui-se na contagem, dia, dos prazos,
Do começo, e se inclui no vencimento.
Mas firme permaneça, pensamento
Tal regra que, criar, pode, sempre casos,

Embora solapando ações, talento,
E do jurista estudos primorosos.
Clientes, que às vezes são indecorosos,
Passarão a clamar sem desalento.

O cuidado, porém, é necessário
Com, dos prazos, defluir, já, processuais.
Lembre-se do que foi, não volta mais,

Do Direito Romano e do Breviário,
•Do aforisma que tudo traduz,
“Dormientibus non sucurrit jus”.


O VELHO ESCRIVÃO
Roberto Corrêa

Homenagem a Bento Santos Machado,
amigo dos primeiros tempos de advocacia.


Aposentou-se, bom, velho escrivão,
Que sempre no Cartório se encontrava.
Os causídicos dele lembrarão,
Das sugestões, incluso, que insinuava.

No difícil início profissão,
Quando no texto nada se encontrava.
Ele, calmo, lã está c’o a solução,
Sabida, por quem muito praticava...

O tempo passou, nunca mais nos vimos.
O amigo alcançou, em seu Cartório,
O descanso almejado, meritório.

Somente ponto num contraditório:
D’abandonar, deixar todos arrimos
E se contentar com proventos ínfimos.

HOMENAGEM
Roberto Corrêa

(Ao ilustre colega
Amphilophio de Mello Filho)


Ao folhear pequeno álbum de lembranças,
De trabalho, revejo os companheiros,
Num cenário tranqüilo, com esperanças,
No futuro e seus dias alvissareiros.

O colóquio, idéias venturosas,
Produziam pensamento sobranceiros,
Sonhos, aspirações, jamais descrenças,
No trabalho e problemas rotineiros.

Mas, nas constantes mutações da vida,
O inesperado aconteceu bastante:
Alterações, separação sentida.

Inclusive a renúncia conflitante,
Do que tivera a vida enriquecida,
No comando supremo competente.

MENINO BOM
Roberto Corrêa

(Homenagem póstuma a
Waldir A. Machado Jr.)


Naquela triste tarde de inverno,
Para sempre partiu o ente amado,
Deixando os projetos encerrados
E triste, destruindo o lar paterno.

Aquele anjo, aquele semblante terno,
Aquele bom menino festejado
Não podia partir, ter esse fado
De luzir tão cedo no empíreo eterno.

Profunda foi a mágoa que deixou
Esse cruel e inesperado adeus.
É inexprimível o que passou.

Resta para consolo dos seus
A saudade dos dias que ficou
E o encontro final no azul dos céus.


A CRIANÇA
Roberto Corrêa

No imenso torvelinho desta vida,
De problemas e dúvidas referta,
Difícil é a amizade apetecida,
Mesmo o carinho da palavra certa.

Satisfazer a aspiração sentida,
É, na natura, vã busca, deserta
De homens, e no prazer envilecida,
Que só por Deus pode ser desperta.

Único sonho, oh!, único enlevo,
Única luz, a única esperança,
Que põe nossa existência em relevo,

É a alegria que fica na lembrança,
Dos filhos, da inocência, do sorriso,
Da singeleza d’alma da criança.


INCERTEZA
Roberto Corrêa


Vai o tempo se escoando mansamente...
E os planos se adiando constantemente...
Enquanto nalma cresce a incerteza,
Deixando sempre nesgas de tristeza.

Tudo olvidar procura em vão a mente,
Fugindo com folguedo assás freqüente.
Porém, à indócil, rude natureza,
Não importam os percalços da fraqueza.

Sem dúvida, o remédio é a oração.
Como fazer a prece assim aflito?
Sem ela, como espantar a aflição?

Nesses momentos da vida esquisitos,
Meu Deus, fortalecei meu coração,
Inspirai-o, deixai-o bem contrito.


A AMPLA DEFESA(poesia jurídica)
Roberto Corrêa


A lei faculta ao réu ampla defesa,
E assim fica tranqüilo o delinqüente,
Quando de bom advogado é cliente.
Este, porém, às vezes, cheio de incerteza,

Compulsando a lei, quebrará a cabeça,
Para encontrar alguma dirimente,
Ou alegar qualquer outra excludente;
Na verdade enfrenta a dura peleja,

Consigo meditando uma vez mais,
Que tudo é limitado aos legais termos.
É inútil os códigos lermos e relermos,

Eis que só o estudo dos temas penais,
Permitirá a nós outros compreendermos,
Que a ampla defesa é em termos irreais.

O MANDATO(poesia jurídica)
Roberto Corrêa


Se defende, proclama, fala, esbanja,
Incontinência verbi é a censura.
Mas se cala, tem calma, diz amém,
Recriminam, detestam-no também.

É a do lobo e da ovelha história velha,
Ou da parêmia sempre repetida,
Daqueles que por ter, cão ou não, prendem,
Sem molestados serem por ninguém.

E assim, ao receber o seu mandato,
Entre venturas, risos, esperança,
Olvida-se o infeliz, o mandatário,

Que seu mundo encantado, como festa,
Se transformou em sonho desmanchado:
Não pode fugir; tem que entrar na dança.

CARTÓRIO DE PROTESTO (poesia jurídica)
Roberto Corrêa


Como ambiente era estranho, taciturno!
Anda a multidão triste, silenciosa!
Naquele vai e vem, longo, diuturno,
A turba sobe e desce pesarosa!

S’encontra ali figura do inferno,
Total miséria, feia, lastimosa,
Que espanca o bem e todo pensar terno.
Dos lábios qualquer sombra de sorriso!

Sina do devedor, quando impontual,
Do pródigo, também mau pagador,
Que sente sofrimento, já letal.

É a vingança solene do credor,
Contra aquele que, na vida afinal,
Nada mais é que grande sofredor.

APOSENTADORIA
Roberto Corrêa



Setenta completou e aniversário,
Em dia cheio de sol, plácido, formoso,
Aquele velho e antigo funcionário,
Que no fundo e, afinal, era bondoso.

Pelo fatal limite obrigatório,
Diz adeus ao serviço, pesaroso,
Lastimando deixar o pepelório,
Pelo qual fora sempre esperançoso!

Mas, nas suas ilações, amarga é a vida!
No trabalho, quer um, prosseguir, calmo;
Não pode. A opção não é garantida.

Já tedioso outro, muito deprimido,
Pela absorvente, cansativa lida,
Sonha como esse viver bem descansado.


MISSÃO CUMPRIDA
Roberto Corrêa


O tempo passou já, envelhecemos.
Criados os filhos, aguardam o futuro.
Há mui os máus momentos esquecemos,
Em terno, meigo, pensamento puro.

As cenas e o passado que revemos,
Alegram da existência o fim seguro,
Nos encantam, impedem que choremos,
No abandono do que nos é bem caro!

Enfim, nada, do que fomos, mais resta,
Salvo a terna saudade emoldurada,
E a alegria simples que, ninguém contesta,

De ver os filhos n’uma nova vida,
Alegre como a mocidade em festa,
Que indica estar nossa missão cumprida.

AMIZADE
Roberto Corrêa

Se a alegria no coração sentimos.
Se a vida , aos poucos , vamos compreendo.
Se procurarmos dar fé ao que não vimos,
Se a esperança continua num crescendo.

Morbidez e tristeza repelimos,
Toda desilusão vamos vencendo.
Alegria e bondade discernimos.
A primavera vai nos envolvendo.

Assim , é a descoberta da amizade.
Assemelhada ao insuperável ouro,
Prenúncio de paz , de felicidade !

Cultivar , proteger esse tesouro,
Dar-lhe nuances de perenidade ,
É trabalho da vida duradouro.

 

AMIGOS
Roberto Corrêa

Quando se escurecem os céus da vida,
Conhecemos os amigos verdadeiros.
Lembram-se eles da virtude esquecida,
Que o Apóstolo pregou ao mundo inteiro.

Neles , não há atitudes fingidas.
Nem somos tratados como estrangeiros,
Que distantes enfrentam a luta ardida.
A palavra amiga , de um passageiro,

Me fala e de um bem que logo virá.
O verdadeiro amigo vale ouro,
Como disse Jesus , é um tesouro.

Na vida , certo , encontrá-los-á.
Faço votos não seja igual ao mouro.
Assim , jamais se decepcionará.

FÉRIAS (trova)
Roberto Corrêa

Muito bom é gozar férias,
Mas nem sempre isso é possível,
Neste mundo de misérias,
Onde tudo é imprevisível.

ACADÊMICO DE DIREITO
Roberto Corrêa

O estudante de direito,
Jovem sempre sonhador,
Prá tudo tem sempre jeito,
E também prá trovador.

DESTINO DO AVARENTO (trova)
Roberto Corrêa

A vida prega suas peças,
A quem desprezou o pobre.
O incêndio, as constantes fossas,
A quebra, o desprezo nobre.

SORRISOS DE UM AMIGO (trovas)
Roberto Corrêa

O sorriso de um amigo,
Nos deixa muito feliz,
Como o bimbalhar dos sinos,
Lá no largo da matriz.

VERÃO (trova)
Roberto Corrêa

E´ a estação mais quente,
Complicada quando chove,
Arrasa com a pobre gente,
Que o perigo jamais vê.

DOR DE DENTE (trova)
Roberto Corrêa

Uma simples dor de dente,
Faz você ouvir estrelas.
Destrói, acaba com agente,
Que jamais você quer tê-las.

DOENÇAS
Roberto Corrêa

Quem muito sofre com doenças,
Detesta todos e tudo,
Pois vive sem esperança
De poder sorrir p’ro mundo.

BONDADE
Roberto Corrêa

E´ sentimento gostoso,
Que faz alguém bem feliz,
Excluindo o mal danoso.
Que o deixava infeliz.

O PERVERSO
Roberto Corrêa

Só escuta e vê má coisa,
Pela mídia tola, inculta,
Que doutrina malvadeza,
À natureza estulta.

DIVERGÊNCIA
Roberto Corrêa

Ponto de vista sagrado,
E´ o que sempre todos temos.
Muitas vezes entranhado,
Porque vamos aos extremos.

POR QUÊ ?
Roberto Corrêa

Flores e mais flores,
Flores de cemitério.
Céu azul, sol,
Brisa forte e refrescante.
Por quê a depressão,
A angústia,
Nesta manhã tão linda,
Onde ao invés de praia,
Areia, ondas e mar,
Nós deparamos com túmulos quadrados,
Tristeza absorvente,
Pensamentos melancólicos ?
Por quê, claramente,
Não encontramos as razões de viver ?
E o próprio passado traz doridas lembranças
Que jamais quereríamos se repitam ?
Por quê não damos de frente com a ventura,
Por quê não espantamos o mal num só instante
E encarando a indiferente natureza,
Passamos a sorrir a vida inteira ?

FACULDADE PARA IDOSOS
Roberto Corrêa

O que acho interessante,
É que inventaram uma faculdade,
Chamada universidade
Prá idade dita terceira.

Ora, idoso é bem esquecido
E como pode aprender,
Se ao sair da própria classe,
Nem lembra qual o nome,
Do mestre ou da professora?

Amigos e amigas:
Encontrar com outras pessoas
É bom prá desabafar.
Contar os males sofridos
E os problemas indefinidos...

Se se tratam de viúvas
Ou de viúvos,
Quem sabe recomeçar.
Prá isso é bom estudar,
Fingir ou ter um pretexto...

Nada de pensar na morte,
Mas pensar em outra sorte,
Novo amor ou no esporte,
Neste mundo diferente...

Viva essa universidade,
Local d’estudos e sonhos,
Que faz reencontrar a vida
E esquecer a eternidade!...

NEM TODOS
Roberto Corrêa

Nem todos vivem vida merecida ,
Nem todos desconhecem a vitória
Poucos concebem dura e humana lida
Meio adequado para alcançar a glória.

Na curta , às vezes longa caminhada,
Nem todos dignificam a história.
E assim, numa fria tarde acinzentada,
A ventura não existe é ilusória!

Só resta a esperança no futuro,
Na proteção dos santos e de Deus!
Obstáculos seus , podem ser meus!

No momento em que tudo é muito escuro,
Precisamos d’ apoio bom , duradouro
Nada mau , nem igual aos fariseus!
08/06/1995

 

NÃO SEI
Roberto Corrêa

Os dias são passados e vividos,
E são findas também as ilusões.
Aqueles bons momentos tão queridos,
Nada mais representam aos corações.

Falsos termos, conceitos emitidos,
Estúpidas, humanas concepções,
O mundo encheu de gritos e gemidos,
Choros, lamentações e frustrações.

Onde encontrar aquela ou essa ventura,
Tão própria da saudosa juventude,
Incrédula da morte ou vida dura ?

Não sei. Talvez ignore que atitude
Se tome ante o encanto da virtude,
Ou da verdade eterna que perdura !

TANTA COISA
(inspirado em Camões)
Roberto Corrêa

Tanta coisa nos prende aqui na Terra.
Tanta coisa atrapalha-nos viver;
Tanta coisa pensamos em fazer,
Mas com freqüência a gente erra.

Tanta coisa acontece só na guerra,
Tanta coisa nem sempre é bom querer;
Tanta coisa nem sempre faz sofrer,
Se no peito coisas boas se encerra.!

Mas a vida exige persistência,
Mas a vida é um sonho ignorado,
Que de todos requer muita paciência!

Muito embora jamais seja notado,
Tanta coisa faz elo da vivência,
Que nos deixou contente, um felizardo!

QUANTAS VEZES
Roberto Corrêa

Quantas vezes quiséramos partir,
Quantas vezes quiséramos chegar.
As horas, quantas vezes ao acordar,
As mesmas foram, sempre a sorrir.

Não dá para entender, mesmo sentir,
Porque estamos no mundo a procurar,
A ventura tão simples que é amar.

Próximos chegamos, talvez mui perto,
De sonho ilusório e passageiro,
Que nos enleva e deixa-nos despertos...

Quantas vezes, porém, num abraço amigo,
Sentimos um sinal alvissareiro,
De um peito e coração de amor repleto.

DE VOLTA À CASA VELHA
Roberto Corrêa

O sonho quase sempre traz melancolia,
Quando revive cenas do passado já vividas,
Com roupagens novas, diferentes.
Que nos faz mergulhar na fantasia...

Sonhei que voltava à casa velha,
Onde minha vida linda transcorreu...
Era porém de noite e estava só
E na casa estranhos se encontravam...

Os amados seres do passado,
Todos ausentes,
Em ignotas separações,
No sonho não reveladas,
Estratificavam incompreensível solidão...

Foi bom acordar. Mas triste recordar,
Que a casa velha banhada pelo sol
Não mais existe nesta minha vida,
Somente relembrada em sonhos e poesia!...

A PRAÇA DA SAUDADE
Roberto Corrêa

Na lembrança distante do passado,
Vejo essa praça linda, ensombreada,
E o rosto do menino já crescido,
Em busca da quimera desejada.

Revejo meus pais, num sonho evocado,
Quando tudo era o mesmo que era um nada,
Naquele tempo manso e abençoado,
Em que a vida dia a dia é começada.

Desse tempo, anos e anos já se foram...
E meus pais dessa vida já partiram...
O que resta para a mente enternecida,

Reminiscências vivas que borbulham,
Na tarde suave, calma, enclausurada,
É esta saudade em versos sublimada.

 

O ADVOGADO
(poesia jurídica)
Roberto Corrêa

O advogado precisa conhecer

O múltiplo Direito e a Ciência Social,

Embora, às vezes, de modo informal,

Cumpra o múnus público do dever.

Tem sempre de lutar pra fornecer

Os elementos em que embasa a inicial,

Se, no prévio entendimento amical,

A pendência deixou de resolver.

É pioneiro, também desbravador,

Eis que na sua função tudo macera

Para facilitar o julgador.

Na vida do advogado –quem dera!?-

Que os seus trabalhos feitos com ardor,

O conduzissem ao mundo das quimeras!

MULHER (Trova)
Roberto Corrêa

A mulher é a formosura,

Repleta de amor ardente;

A mais atraente criatura,

Que no mundo real existe.

II

Meiga, fascinante, bela,

A mulher domina o mundo;

Com seu carinho revela,

Porque é a dona de tudo.

POETA
Roberto Corrêa

Produz versos sem esforço,

Sem cansar, naturalmente,

Desde quando é muito moço,

Ou é velho finalmente.

POESIA
Roberto Corrêa

Sensibilidade, amor,

Olhos que esplendor enxergam,

Em tudo ao seu derredor

E nos sonhos que se vão.

VERSO
Roberto Corrêa

Verso, proposição linda,

Que mexe com os sentimentos,

Deixando a alma encantada

Com sonhos e pensamentos.

PRESENTE PARA IDOSOS
Roberto Corrêa

Coitadinho dos velhinhos,
Que precisam de carinho
E talvez, um dinheirinho.

Disso se fazem esquecidos,
Até os amigos chegados,
Que só sabem obedecer,
A mídia, a deusa tevê.

Nada de interessante,
Gostoso prá valer.
Uma vacina somente,
Prá nunca ficar doente.

De tudo, então é verdade ?
Não. Somente impede a gripe
E apenas com validade,
De um ano e , olhe lá !

Mas,” se a gripe só tenho
De cinco em cinco anos ?”
Ignoro como faço,
Com esse enorme presentaço!

Paciência, meu velho.
Não se esqueça pobrezinho,
Que a vacina é de graça !
E ainda não está vencida!

SAÚDE, DINHEIRO E AMOR
Roberto Corrêa

(Versos inspirados na velha canção do mesmo nome)

Sem dinheiro não se faz nada;
Pode brilhar o sol, cair a chuva,
A mulher linda passar, te olhar,
Tua saúde estar ótima, de admirar.

Sem amor estás vencido,
Tens vontade de tudo chutar,
Te acabrunhas com a vida que passa,
E com o desprezo que avança como sombra...

Sem saúde lastimas sem cessar,
Notas distantes sonhos e ideais,
Nada te agrada, nada te faz feliz,
Sequer podes pensar em amar...

Mas, se os três juntos consegues juntar,
Saltitas como um menininho,
Gorgeias como um passarinho,
Sorris para todos, para o mundo,
E cantas e, sem parar, diz em voz alta:
A vida é bela, vale a pena ser vivida !...

SALVAÇÃO DE BANDIDO
Roberto Corrêa

Pode se salvar bandido,


Traiçoeiro, bem perverso,


Muito cruel assassino,


Que a vida passará preso ?

INQUIETAÇÃO
Roberto Corrêa

Onde está a esperança que enleva,
O sonho belo e multicor da vida,
A alegria pura, inocente e incontida,
A presença que tudo sobreleva ?

Na cruel agitação que a vida espelha,
Onde encontrar a bela paz doirada,
Se a maldade é constante, irreprimida,
E, nos corações ódio se conserva ?

Dias tristes, sombrios, sem amigos,
Dos males aflitivos renegando,
Mas a Deus com insistência implorando.

A angústia, com oração sempre espantando,
Prá longe escorraçando os inimigos,
Feliz vencendo, todos os perigos.



O SONHADOR (trova)
Roberto Corrêa

Males jamais existem:


Todos são belos e bons.


Sonhar sempre vai bem,


E´ inestimável dom.

O MELHOR REMÉDIO (Trova)
Roberto Corrêa

Dinheiro é o melhor remédio,


Espanta tudo, a tristeza,


E o que resta do tédio.


Faz sorrir a natureza.

QUANDO CHEGAR O AMANHÃ
Roberto Corrêa

Quando chegar o amanhã,
Espero encontrar um mundo novo...
As sombras que rondavam meu viver,
Como por encanto desaparecerão...

Não haverá mais razões,
Para me encontrar tão só.
O abandono das idéias,
A ausência das pessoas,
Deixarão de existir...

Quando chegar o amanhã,
E tudo for bem diferente,
Lembrar-me-ei dos tempos que vivi,
E da alegria que jamais me abandonou...

O sol será o mesmo,
A brisa e a claridade continuarão iguais.
Somente o tempo,
Célere percorreu...

Quando chegar o manhã,
Espantarei as tristezas,
Que porventura existam,
E farei surgir à minha frente,
A eterna mocidade,
De sonhos e alegrias...

Amor II (torva)
Roberto Corrêa

 

No mundo existe o amor,


Também de esposos e filhos.


Dignos de todo louvor,


Se a vida anda bem nos trilhos.


SORRISOS DE UM AMIGO (trova)
Roberto Corrêa


O sorriso de um amigo,


Nos deixa muito feliz,


Como o bimbalhar dos sinos,


Lá no largo da matriz.

SARANDO (trova)
Roberto Corrêa

A existência é doirada,


Mesmo sem canto de pássaros,


Em tarde fria, nublada,


E de bons momentos raros.

LEVANTAR E DEITAR
Roberto Corrêa

Sempre e todos os dias,


Deitamos e levantamos.


Este, o fim da existência,


E para o qual trabalhamos ?

 

O HABEAS CORPUS(poesia jurídica)
Roberto Corrêa

O “habeas-corpus”, garantia afamada,
Nascida à época do João Sem Terra,
Em preceito institucionalizada,
Suspensa é no estado de sitio ou guerra.

No tempo do Império era mui usada,
Essa ação que todo direito encerra,
Na liberdade de ir tão conclamada,
E na de vir que somente a força emperra.

Naqueles tempos já distantes,
Gigante se tornou o “habeas-corpus”,
Das liberdades e feridos jus.

Hoje, com as agitações estonteantes,
Esse “writ” de garantias tão vibrantes,
Mantido é sem o brilho que reluz.


ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA (PLANTÃO)(poesia jurídica)
Roberto Corrêa


Da existência os problemas são freqüentes,
E crescem com as mazelas deste mundo.
Súplicas, divergências com parentes,
Tudo que leva ao mal, ódio profundo.

Solução, uns procuram nos desquites,
Alimentos, pensão, outros clamando,
Enfim, são poucas coisas elegantes,
Que para o Juízo vão aparecendo.

Ouvir lamúrias tristes, da miséria,
Rever, sentir no fundo a maldição,
Ocorre na assistência judiciária.

É necessário brando coração,
E descobrir respostas, que haveria,
Para, do dia, querelas, de plantão.

OS RECURSOS(poesia jurídica)
Roberto Corrêa


Se as decisões do juiz não satisfazem,
As partes podem recursos interpor,
Na esperança de seus direitos verem
Atendidas pela Instância Superior.

Conforme os processos de onde provém,
E a lei em sua sabedoria dispor,
Se apelará, se agravará também,
Ou se embargará ao juiz inferior.
Com os recursos suspende—se a execução,
E à instância de segundo grau devolve-se
O conhecimento sem exceção.

É conveniente, portanto, que observem-se
Os prazos, impedindo a preclusão,
E que a formal coisa julgada crie-se.


A SENTENÇA (Poesia Jurídica)
Roberto Corrêa


Os pronunciamentos do juiz, decisões,
São chamados. Despachos e sentenças.
Aqueles ordenam a lide nas expressões
Legais. As últimas são mais extensas.

Encerram o litígio e as lucubrações,
Conforme as ações ou as desavenças,
Condenem, ou façam declarações,
Ou recriem situações que eram tensas,

As sentenças são classificadas.
Conclusão, motivação, relatório,
São partes das sentenças divididas,

Essenciais, sob pena de serem anuladas.
Para obedecer a célebre principio,
Deve o juiz restringir-se ao petitório.


EXECUTIVO FISCAL E A ARTE DE COBRAR (Poesia jurídica)
Roberto Corrêa

Regulado por Lei especial,
O processo executivo fiscal
Exige, antes dos embargos, penhora
Que o devedor às vezes nem deplora.

Se o juiz prolata a sentença final
A favor da Fazenda Estadual
A exeqüente da praça se assenhora,
Esperando da receita melhora.

Se no recurso o devedor ganhar,
Finda mais simplesmente o processo.

A autora pagará esse insucesso.
Embora diminua o seu progresso.
A Fazenda, p’ra bem executar
Deve entender da arte de cobrar.


AMOR PERENE
Roberto Corrêa

Ao meu colega e amigo
Dr. Acésyo Godoi Gotnes

Referta é a existência de poesia,
Em tudo podemos ver graça e encanto:
Ao amanhecer de rotineiro dia,
Ou, ao entardecer, que entristece tanto.

O homem e a natureza tem magia
Tudo é sublime, um suave acalanto:
Risos que representam a alegria,
As lágrimas, que nos traz o pranto.

Na homenagem que se faz neste verso,
O homem constitui pequeno universo.
Ao vislumbrar o final da jornada,

Ausente aquela que fora sua amada,
Neste reencontro de imenso valor,

Ressumbra a perenidade do amor.

LIMONGI FRANÇA
Roberto Corrêa

Ao meu colega, contemporâneo
de Faculdade, com todo
respeito e admiração.


Em relembrando a Universidade,
Vejo a figura do jovem estudante,
Alma fecunda, plena dignidade,
Talento sem par, orador brilhante.

Louvo a cultura, a versatilidade,
A coragem, o poder da mente,
Transbordante de capacidade,
Daquele que será famoso lente.

Inspirado, talvez, no amor do estudo,
Como num sonho festivo de criança,
Retorno a um curso de pós-graduado,

E assisto a preleção que não cansa,
Do jovem, hoje Mestre renomado.
Professor Rubens de Limongi França.

FILHOS CRIADOS
Roberto Corrêa


Não são mais crianças, meigos, delicados,
Mas A esta altura, todos já estão criados.
Você percebe então que envelheceu,
E o que também encanto era esmaeceu.

Os filhos grandes, másculos, barbados,
Vivem a vida como emancipados.
E os pais, para quem era o mundo seu,
Quedam-se mudos com que aconteceu.

Tudo mudou ao longo da existência,
Sem que do comum fato, natural.
Tivéssemos alguma vez consciência.

É a repetição do ciclo vital,
Que se originou nos idos da infância,
E tem na morte o seu ponto final.

IRA SANTA
Roberto Corrêa


Quando você percebe que não é nada,
E ao seu redor deambula indiferença,
Na família só há desobediência,
A existência parece fracassada.

A hierarquia claudica, é subvertida,
Todos esbravejam na desesperança,
É o fim de tudo, mágoa na lembrança,
É a ventania uivante e desolada.

Lenitivo não há, só o desespero,
Num universo que ameaça desabar.
Por certo Jesus Cristo, o Verdadeiro,

Permite esta ira santa fumegar,
Mostrando ao deste mundo passageiro,
O caminho que tem de palmilhar.


PREOCUPAÇÃO
Roberto Corrêa


A existência é referta de problemas,
Variados, difíceis, alguns extenuantes,
E o tempo, manso, suave, alienante,
Não facilita a solução dos temas.

A religião que sempre foi um lema,
Um raro oásis, um clima refrescante,
Expõe situações repugnantes,
Reflui, de novo, assim, outro dilema.

A matéria triunfa nos espaços,
O homem sem receios chega à Lua,
Da moral mitigados são os laços.

O mundo canta, pula, se extenua,
O coração se aniquila em pedaços,
E a preocupação nossa continua.


DE LEGE FERENDA(poesia jurídica)
Roberto Corrêa


No torvelinho da moderna vida,
A miude se modificam os fatos
A ponto de inexistir leis ou decretos
Para uma situação determinada.

Na pesquisa, mui longa, fracassada,
O jurista colige os elementos,
Reafirma, estabelece os fundamentos,
Que, deve ser, da norma elaborada.

Concluindo, restará o principal:
Revestir-se, pelo órgão competente,
Plena coatividade nacional.

Felicidade, então, de mero instante,
Para tudo dará aspecto legal,
E o universo será bem diferente.

A IGNORÂNCIA
Roberto Corrêa


N’árdua e terrível luta pela vida,
Diversos inimigos enfrentamos,
Mas a ignorância, velha conhecida,
Merece que em soneto destaquemos.

Dores, transtornos, mágoa ressentida,
Diálogos dúbios, que jamais pensamos,
Cultura, erro bárbaro, omitida,
A triste ignorância assim conceituamos.

Se a máscara reveste, do saber,
Ou ocupa posição de mandonismo,
Deus! ,que falhas cruéis vimos cometer!

Imprescindível tornar-se a expulsão,
Para suavizar terráqueo conviver,
Da ignorância, sem contemplação.

O CHEQUE E A PROMISSÓRIA (poesia jurídica)
Roberto Corrêa


Quem emite cheque é porque tem crédito;
Já a promissória representa um débito.
Aquele deve ser ordem à vista,
Esta é promessa, às vezes, dum artista.

O cheque sempre está sendo revisto,
Para não ser um título malquisto.
A promissória sempre foi benquista,
Pelo pobre e por todo negocista.

Iguais parecem, mas não são iguais.
A promissória pode girar calma,
O cheque, porém, pode acabar c’o alma.

O cheque s’abastarda, é de má fama,
E à promissória se assemelha mais
Porque são ambos títulos cambiais.


A PROMISSÓRIA (poesia jurídica)
Roberto Corrêa


A promissória, pelo próprio nome,
Representa promessa, tem futuro.
Fácil e giro rápido, bom juro,
Titulo que desfruta de renome.

Encontrar, quem a gente, duro, tome
Por avalista, no tempo moderno,
E gerente que faça bom empréstimo,
É o problema p’rá nos salvar da fome.

Sim, a vida do pobre não tem jeito,
Pois seu labor é inglório e infrutífero,
Curta satisfação dentro do peito.

Chora, ri, considera felizardo,
No dia em que, saindo do seu teto,
Título ve, c’o endosso reformado.


O DESQUITE (poesia jurídica)
Roberto Corrêa


Belos sonhos de amor da mocidade
Conduzem ao desejado matrimônio.
Porém, quando falta sinceridade,
A vida se transforma em pandemônio.

São as rugas, a infidelidade,
A hipocrisia, as artes do demônio,
Destruindo as ilusões daquela idade,
E o caminho tornando curvilíneo.

Chega então o momento do desquite,
Eis que a prova é de adultério ou de injuria,
De abandono do lar, sevícia ou fúria.

É a inimizade que não se queria,
A desavença que também persiste,
É o final do amor que não mais existe.


VISÃO DO PASSADO
Roberto Corrêa

Sonhei, revi o passado,

Dos tempos da mocidade.
Vi o companheiro estimado.
Senti de tudo saudade.

Era um tempo bem folgado,
Cheio de curiosidade;
Um viver despreocupado
Pelas ruas da cidade.

Disso, nada mais existe.
Luto hoje pela existência,

Nem a amizade persiste.

A vida exige paciência,
No presente alegre ou triste,
Na visão da adolescência.

AFEIÇÃO PATERNA
Roberto Corrêa

Ternura , encanto é o filho adormecer,
Contemplar a meiguice acrisolada,
A inocência , a carne abandonada,
O frescor puro de tão lindo ser.

Da vida, tudo temos de esquecer,
O pensar vão da mente fatigada.
Assim o exige a cena delicada
E o amor àquele que vimos nascer.

Essa ventura tão fugaz de instantes,
Que o tempo breve tornará distantes,
Ficará para o arquivo das lembranças,

Para o enlevo do dia de amanhã.
Será como o tesouro, o talismã.
A encher os dias da velhice mansa.

EM VÃO
Roberto Corrêa

Procuro em vão a felicidade,
Embora sob o sol da primavera
Ou nas estradas em velocidade
Ou nos sonhos refertos de quimera.

Nem sempre quando a luz se põe, de tarde,
As idéias traduzem o que se espera!...
Há muita divergência em toda a idade,
Que só pode causar a desventura!...

Preencho em vão o tempo no estudo,
Em vão quero fazer uma oração!
De mil futilidades vou vivendo!...

Embora assim não queira o coração,
Não resta outra saída neste mundo,
Onde a vida não passa de ilusão!

O CHEQUE (poesia jurídica)
Roberto Corrêa

O cheque é uma ordem de pagamento,
Pela qual deve se obrigar o sacado,
À apresentação do documento.
Que de forma alguma pode ser viciado.

A fertilidade do pensamento,
Lhe propiciou um uso desvirtuado,
A ponto de exigir penal tratamento,
Para retorno ao fim colimado.

Tudo faz, o direito positivo,
Para que o cheque não vire promissória,
Dando sinais de riqueza ilusória...

Pena, eis que em existência sem muita glória,
O cheque a vencer é um incentivo,
Que a muito pode manter ainda vivo.

DINHEIRO
Roberto Corrêa

Dinheiro, papel imundo,

Que nem todos males cura,

Razão das guerras do mundo

E de toda desventura.


DOR DE COTOVELO
Roberto Corrêa

Pode ser a tal bursite,

Mas também inveja doida,

Pois existe muita gente,

Co’a fama d’outro magoada.

SE O NEGÓCIO E´ POETAR
Parte I

Se o negócio é poetar,
E você é nossa mestra,
Todos nós vamos tentar
E fazer uma linda festa.

Quem pode ser Milene,
Que além de professora,
Cujo nome tem um ene
E é distinta senhora ?

Mui purista da linguagem,
Escreve em belo vernáculo
E pode levar vantagem,
Com sua bolsa à tiracolo.

Poetar, fazer cordel,
E´ mui bom, mas não é fácil,
Como não o é fazer pastel,
Ou limpeza sem bom bril.

Por isso, melhor parar
Deixar para os mais inspirados,
A arte de poetar,
Todos caminhos sonhados.



PRECE DA ESPERANÇA
Roberto Corrêa

Onde a alegria,
Onde a esperança,
O delicioso repousar,
O alegre despertar?

Óh! Que saudade imensa
Dos janeiros passados,
Dos anos que se foram sem sentir,
Onde a alegria predominava sempre
E a tristeza não existia...

Hoje, no reboliço das dificuldades,
Na vicissitude das carências físicas,
Na ancienidade que se aproxima sorridente,
Relutamos em encarar a vida
E sentimos o vazio ao derredor...

Óh!, meu Deus...!
Faça da minha poesia uma oração
E transforme, num lampejo de bondade,
Toda minha tristeza em alegria.

FINADOS
Roberto Corrêa

Um mundo misterioso, diferente,
Traz à lembrança a festa de finados,
Ao inquieto e insacíavel ser vivente,
Cheio de saudades dos antepassados.

Das flores a visão e o odor frisante,
Tornam calmos e lindos os recantos.
Sempre a lágrima cai furtivamente,
Na prece pelos mortos sufragados.

Impossível supor como é o além,
Como vivem espíritos tranqüilos,
Sem tristeza, no amor, no sumo bem...

Por certo os dias serão maravilhosos,
Na sabedoria máxima de Quém,
Premia a dor e a morte valerosos.


SERES AUSENTES
Roberto Corrêa

No inspirado entardecer da vida,
Com luzes e estrelas rebrilhando,
Toda recordação é dolorida.
Pois a saudade vai fundo, agrilhoando !

Muitos partiram em muda despedida,
A nós outros nada questionando,
Sobre a partida , sempre inesperada,
E sobre a qual, jamais se está pensando !

Acordados, despertos , sem passado,
O mundo vivo temos de enfrentar,
Redescobrir figuras para amar !

Podemos a ventura encontrar,
Com o elo do passado destruído,
E todo nosso ser enfraquecido ?

SONETO DE NATAL
Roberto Corrêa

Inspirado em Machado, quis lembrar,

Os Natais já passados e vividos.

Coloco em folha branca, sem sentidos,

Velhas palavras para versejar.

O barulho nos deixa aborrecidos,

Porque tem o condão de afugentar,

Todas as razões que existem p’rá sonhar,

De lembrar os momentos mais queridos...

De ambiente mudei. A noite também,

Caiu. tranquilizou-se o vai-e-vem

E brisa perfumada transpassou...

Amanheceu. Luz, paz, o bem querer,

O tempo de Natal faz reviver,

Nasceu o Nazareno e nos salvou.

A CASA VELHA
Roberto Corrêa

Na avenida mais bela da cidade,

Aquela casa surge na beleza

Dos anos, que se foram sem tristeza,

Deixando só a marca da saudade.

Crianças diversas, de várias idades,

Puras, alegres na sua singeleza,

Ali sempre brincavam com certeza,

Ausente qualquer sombra de maldade.

O tempo foi, os dias se passaram,

As crianças em moços se tornaram,

A existência mudou, como senti!

As imagens felizes que restaram

Perambulam nos sonhos que revi:

A linda casa velha onde vivi.

JESUS SOBRE AS ONDAS
Roberto Corrêa

Entardecia e Jesus caminhava

Sobre as ondas de um mar, frio, intranqüilo...

Enquanto aos seus discípulos preocupava,

A próxima tormenta e o escuro medo.

Andava sobre as ondas um fantasma,

Mas era belo, amigo, conhecido...

E o temor que a figura lhes ensejava,

Transmudou-se num sonho apetecido...

Que maravilha, que encantamento!

Jesus amigo, todo poderoso,

Na luminosidade do momento!

Como em poesia e sonho esplendoroso

Sem tradução, no puro pensamento,

Pontificou o vulto majestoso!

BOLA DA VEZ
Roberto Corrêa

Chega a ser engraçado,

Para quem joga sinuca,

Seja armada arapuca,

Se a bola da vez é sua.

Explicar, explicadinho,

Não dá em simples versinho,

Porque a bola é mui redonda,

E escorrega de mansinho.

Bola da vez tá em tudo,

Porque o mundo é uma bola,

E aqui impera a pistola,

No reino da impunidade.

O mais forte sempre vence,

E goza em cima da gente,

Tudo por causa da bola,

Que aqui deita e se rebola.

Põe a bola na caçapa,

Seja da vez ou não,

Porque o bom jogador,

Não falha, não erra não.

Seja sempre vencedor,

Treine, treine, jogue bem,

E seja cumprimentado,

Pelos que lhe querem bem.

PRESENTE PARA IDOSOS
Roberto Corrêa

Coitadinho dos velhinhos,

Que precisam de carinho

E talvez, um dinheirinho.

Disso se fazem esquecidos,

Até os amigos chegados,

Que só sabem obedecer,

A mídia, a deusa tevê.

Nada de interessante,

Gostoso prá valer.

Uma vacina somente,

Prá nunca ficar doente.

De tudo, então é verdade ?

Não. Somente impede a gripe

E apenas com validade,

De um ano e , olhe lá !

Mas," se a gripe só tenho

De cinco em cinco anos ?"

Ignoro como faço,

Com esse enorme presentaço!

Paciência, meu velho.

Não se esqueça pobrezinho,

Que a vacina é de graça !

E ainda não está vencida!

 

A FELICIDADE
Roberto Corrêa

A manhã voltou a encantar,

E o sol a brilhar.

Os pássaros cantam,

Inclusive o bem-te-vi.

O colorido das flores,

O frescor da aragem,

Os ruídos ainda tênues,

Da cidade grande,

Que começa a despertar,

Tudo é encantamento...

Só está ausente a felicidade.

Onde ela se encontra ?

Fecho os olhos e os abro,

Ainda meio adormecido...

A felicidade é incorpórea,

Não a posso tatear,

Segurar com as mãos...

Não estaria ela nesse ar,

Nessa radiosidade da manhã,

Nessa brisa tão gostosa,

Que invade nosso ser

E , sorrindo,

O deixa em plena paz ?



                             

 

 

 

By DTi